Mudança no ar
Eu vejo minha vida como uma grande série de tv com diferentes temporadas.
Sempre enxerguei a vida assim. Quando pequena, eu escrevia no diário a vida e o dia a dia dos meus colegas de turma como se estivesse em uma série. Eu era roteirista e observadora das GRANDES façanhas e mudanças deles ao longo do ano (entenda aqui que as grandes façanhas são brigar com Y, ficar chateado com X, comprar um caderno com a capa do galã W…).
A vida passou, eu me tornei adulta e continuei observando esses ciclos da vida de forma roteirizada. Adoro narrativas - sou redatora - e acho que tem uma certa graça e charme em observar a vida assim. Alguns poderiam dizer que estou romantizando mas não gosto muito dessa ideia. Só acho que observar os tempos e movimentos do dia a dia, das pessoas, os nossos é fundamental pra viver - e saber viver.
Não digo que sei viver do jeito que você possa imaginar: eu surto, eu brigo, eu choro e tem vezes, raras mas têm, que eu só quero ir embora daqui. Mas logo passa e eu consigo “resolver” o que precisa ser resolvido seja deixando pra lá seja virando uma página.
Essa conversa é sobre virar páginas.
Me mudei! Depois de cinco anos no meu antigo apartamento, sou oficialmente uma moradora de um apê com chão de taco. A verdade é que é a primeira vez que moro em um apartamento com mais cara de casa e só eu moro nela. Levei 37 anos pra viver essa experiência mas estou feliz (e um pouco ansiosa - Meu Deus, como vou pagar tudo isso!?).





Tenho ido mais ao Rio de Janeiro também. E é um novo Rio pra mim. Se você não me conhece profundamente, eu cresci no Rio, sou uma garota carioca (ainda que nascida no Espírito Santo), mas moro em São Paulo há sete anos e, tinha diminuído minha frequência a cidade por causa da faculdade e do trabalho, mas agora o amor me leva de volta e eu gosto desse Rio que eu desbravo, toda vez que estou lá.
É o amor que também tem me feito refletir sobre o tempo e o futuro. Estar com alguém que tem uma diferença de idade real me fez pensar mais sobre como o presente é um presente. Tem dias que tento ir pro futuro pra prever o que vou sentir e como vou sentir caso ocorra determinadas situações com ele, mas logo percebo como essa fuga é vã. Ela só me machuca e me limita.
Daí, eu volto pro presente e abraço ele. É onde quero estar. Na Voluntários da Pátria, no Largo do Arouche, dentro de mim. Que seja assim enquanto for.
E você? Pra onde a sua temporada de vida está indo?


